Arquivo para dezembro, 2012

Niemeyer como inspiração

O Projeto, o Planejamento e o Contexto na formação do Arquiteto Urbanista.

Gisela Santana*

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Niemeyer no Palácio da Alvorada.
Fonte: G1, Pop & Arte, vida e obra de Oscar Niemeyer

O falecimento de Oscar Niemeyer põe em evidência um dos valores buscados pelos arquitetos: a beleza do singular!

Tradicionalmente, os profissionais da arquitetura em sua formação são educados para verem o projeto em si, suas qualidades plásticas, estéticas e funcionais, herdadas do binômio modernista forma-função.

Apesar das críticas quanto à aridez de alguns projetos, em suas obras, Niemeyer buscava certa mimetização das formas naturais, buscava inspiração na fonte criadora do universo para dar qualidade estética aos seus projetos, transformando arquitetura em elemento de sensibilização do olhar e da emoção, como no caso da Catedral de Brasília.

Interior da Catedral de Brasília. Fonte: G1

Interior da Catedral de Brasília. Fonte: G1, Pop & Arte, vida e obra de Oscar Niemeyer.

Apesar da simplicidade das formas, a complexidade estrutural do que pensava, desafiava os calculistas, a exemplo de Joaquim Cardozo, responsável pelos cálculos das colunas do Palácio da Alvorada. Ele também, um mestre na discrição e na armação dos ferros que, escondidos, davam sustentação à leveza da arquitetura de Oscar.

Atualmente a arquitetura envolve uma série de disciplinas e conhecimentos objetivos e subjetivos que vão muito além do projeto em si. Além de obra de arte, quando bem feita, uma boa arquitetura também deve pensar nos espaços que gera para seu usuário interno e externo; pensar no contexto social, urbano, ambiental e psíquico em que se insere.

Casa das Canoas, espaço de transição entre o interior e o exterior.Fonte: http://www.casanaweb.com/2012/12/oscar-niemeyer.html

Casa das Canoas, espaço de transição entre o interior e o exterior.
Fonte: http://www.casanaweb.com/2012/12/oscar-niemeyer.html

A realidade urbana brasileira e mundial, com a maioria da população vivendo em grandes metrópoles, põe em evidência um aspecto ainda pouco valorizado pela sociedade e pouco explorado pelos contextos da formação profissional: o Planejamento urbano, enquanto saúde pública e qualidade de vida atual e futura nas cidades.

Quando o estudante de arquitetura e urbanismo conclui a faculdade, ele também é urbanista e não apenas arquiteto, como há trinta anos! A nova realidade urbana promoveu uma inserção de disciplinas na grade curricular, mas que ainda se mostram aquém da real necessidade ambiental e urbana que se apresenta e que se prenuncia: seres estressados e doentes em decorrência do atual modelo de cidade.

Lúcio Costa, urbanista e parceiro de Niemeyer em Brasília, seguia princípios modernistas ditados pela Carta de Atenas, que também dividia a cidade por suas funções, habitar, circular, trabalhar e recrear, além de dar alguma ênfase ao patrimônio edificado, existente nas mais antigas.

Cidade de Brasília e o seu horizonte.Fonte: http://www.mundi.com.br/Fotos-Brasilia-2709176.html

Cidade de Brasília e o seu horizonte.
Fonte: http://www.mundi.com.br/Fotos-Brasilia-2709176.html

Como filha de Professor e Planejador urbano-metropolitano, discípulo de Niemeyer, Lúcio Costa e Joaquim Cardozo, cresci ouvindo que deveríamos ampliar a nossa análise para além do lote-terreno e olhar como a obra-edifício se insere no contexto urbano, social e ambiental.

Depois de algum tempo transitando em diversos contextos profissionais e discentes da profissão, e com o exercício da transdisciplinaridade, percebo que o contexto sistêmico que envolve uma simples obra arquitetônica ainda não é suficientemente considerado nos projetos realizados nos trabalhos de graduação, das pranchetas-computadores dos escritórios, empresários do mercado imobiliário e da construção civil e nem tão pouco dos órgãos públicos e leis urbanísticas. No contexto do Planejamento Urbano, além das condicionantes físicas, sociais, técnicas e ambientais existem condicionantes subjetivas: espaço, tempo e a psíquica.

Seria essa uma relação saudável?Fonte: http://guiadicas.net/imagens-do-efeito-estufa/

Seria essa uma relação saudável?
Fonte: http://guiadicas.net/imagens-do-efeito-estufa/

É no espaço e no tempo que as ações humanas irão se concretizar e produzir os seus efeitos positivos ou negativos sobre os meios e sobre os indivíduos.

O Planejamento se aplica não apenas para a cidade enquanto espaço físico, mas, sobretudo, enquanto ambiente social, a priori, propiciador de condições dignas para o ser humano viver.

Mas que condições dignas são essas? Qual a qualidade de vida que está sendo gerada por uma arquitetura que só vê o lote e o lucro e se esquece de que derruba centenas de árvores, alterando a ambiência psíquica e ambiental? Que ao ser projetada, com uma visão imediatista, só está pensando no aqui e no agora e sem se projetar no tempo de sua vida útil de pelo menos 50 anos e sem considerar os efeitos globais e pontuais que provoca? O Planejamento precisa ser do local para o Global e vice-versa. Como podemos ampliar o horizonte do Planejamento e pensar no conjunto das obras e de seus impactos sobre os recursos naturais e climáticos, sobre os sistemas urbanos, viário e de trânsito, abastecimentos e fluxos e sobre o modo e qualidade de vida das pessoas que por ali circulam?

Os Princípios da Permacultura podem apontar caminhos para novas formas de interação entre homem-natureza-qualidade de vida.Fonte:http://permacultureprinciples.com/pt/pt_flower.php

Os Princípios da Permacultura podem apontar caminhos para novas formas de interação entre homem-natureza-qualidade de vida.
Fonte: http://permacultureprinciples.com/pt/pt_flower.php

Na atual conjuntura social e ambiental da população mundial, é no espaço urbano interdisciplinar e multifocal que o arquiteto urbanista precisa se ater ao realizar seus projetos, com uma visão de médio e longo prazo do planejamento urbano. Não são aspectos dissociados, muito pelo contrário, fazem parte de um mesmo sistema e estão intimamente imbricadas, como nos mostra Fritjof Capra em seu livro O Ponto de Mutação.

O arquiteto urbanista, precisa se enxergar como profissional UNO, para exercitar a visão sistêmica de sua profissão, que há muito tempo deixou de ser dissociada. Não são duas profissões: o arquiteto e o urbanista é uma só! E como tal precisa ser exercida.

Quem faz projeto precisa contextualizar sua obra no espaço não apenas como paisagem visual, mas, sobretudo, enquanto meio natural, social e humano e mais que isso, se projetar no tempo futuro para atuar como agente de mudança e auxiliar na transformação de paradigmas da população, dos empresários e dos gestores públicos. Só assim construiremos utilizando meios mais saudáveis e seguros para os nossos filhos e netos, antevendo os impactos das ações de hoje nas mudanças climáticas, prevendo a necessidade das adaptações e resiliências urgentes que as nossas cidades já estão exigindo e que, se permanecermos mimetizando o modelo da construção civilizatória de exploração natural estaremos nos auto-extinguindo como espécie da face da Terra.

Não vivemos sozinhos neste planeta água... A Terra é a casa de todos nós! Precisamos cuidar dela para salvar a espécie humana.Fonte: http://guiadicas.net/fotos-do-efeito-estufa-no-planeta/

Não vivemos sozinhos neste planeta água… A Terra é a casa de todos nós! Precisamos cuidar dela para salvar a espécie humana.
Fonte: http://guiadicas.net/fotos-do-efeito-estufa-no-planeta/

Que Niemeyer sirva de inspiração aos arquitetos urbanistas, não apenas para mimetizar as formas da natureza. Sejamos futuristas e visionários como ele foi, para irmos mais além, e mimetizarmos as funções da natureza em nossas ações e tecnologias ambientais e de sustentabilidade e assim, criarmos cidades melhores para se viver.

Para saber mais:

Oscar Niemeyer vida e obra:

http://www.niemeyer.org.br/

 

Casa das Canoas:

http://www.casanaweb.com/2012/12/oscar-niemeyer.html

 

Artigo de Carlos Eduardo Comas sobre obras de Oscar Niemeyer sua relação com a natureza: 

http://www.docomomo.org.br/seminario%208%20pdfs/132.pdf

 

Permacultura:

http://permacultureprinciples.com/pt/pt_flower.php

 

Infraestrutura Verde:

http://inverde.wordpress.com/

 

*  Gisela Santana é Arquiteta Urbanista, Mestre em Desenvolvimento Urbano e Regional, Doutora em Psicologia Social e Colaboradora do Instituto de Pesquisas em Infraestrutura Verde e Ecologia Urbana – INVERDE.

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Natal: tempo de Renascimento.

renascimento_venus_Leonardo da Vinci

Renascimento da Vênus. Leonardo da Vinci.

O que você tem feito para ser uma pessoa mais alegre, segura e serena? Tem trabalhado suas emoções? Como administra seus relacionamentos interpessoais? Como está a sua relação com colegas de trabalho, amigos, parentes e com aqueles com quem mais ama? Perdeu o encanto? E seu trabalho? Está satisfeito com ele? Como você gerencia seus tempos e responsabilidades? A sua roda da vida gira ou tropeça?

Observe se seu corpo está dando sinais que algo não está bem! Assim como o carro também precisamos ir ao “mecânico”, não só ao médico. Precisamos fazer um check up interior em nossas ações, processos diários, emoções, relacionamentos pessoais e profissionais. Observe-se! Está tendo fadiga excessiva, dores musculares, dores de cabeça e outros sintomas psicossomáticos? Isso pode ser um aviso que o seu corpo está lhe dando. Você está ouvindo esses avisos ou está se anestesiando com remédios ou outras drogas?

Você pode melhorar sua vida!

Você é o único que pode fazer isso!

O final de ano é uma ótima época para rever tudo o que foi feito durante o ano. Reserve um tempo só para você. Dê uma pausa na rotina agitada das festas e reveja o que se passou durante este ano. Recapitule e Renove-se, aprenda com as experiências vividas. Veja onde errou, onde acertou e como pode melhorar no ano seguinte!

Seja feliz!!

Bom renascimento para você!!

Feliz Natal!! E um ano novo de muitas realizações e sucessos!